31 maio, 2012

Concepção de Uma Mente Bêbada



Eu podia estar bêbado. É o jeito que eu encontro de esquecer de tudo e ao mesmo tempo me lembrando de tudo que não vivi. É na parte em que eu me deito ao lado da minha alma vazia. Esperando o melhor de mim aparecer. Já estou cansado da mesmice. É como se eu estivesse são. À procura da paz, e da juventude. É tudo tão lindo. Amigos, família, todos reunidos. E acabamos sós. Sem âncora.
Agora me encontro sozinho, duas garotas acabaram de sair do meu lado. Acho que estou velho para esse tipo de coisa, ou simplesmente veio o acaso me dizer que não é isso o que eu tanto espero. Talvez nem seja por isso. Talvez seja porque eu simplesmente não puxei assunto. Não queria jogar conversa fora. Estava ocupado, em um encontro comigo. E hoje sinto, redundância de um sentimento não vale mais o mesmo. Vale mais. Porque se ela conseguiu te fazer chorar com um filme romântico de nível de sessão da tarde, é porque ela nunca esteve presente da mesma forma. Sentimento progride. Hoje por exemplo ela se encontra ausente, talvez com uma legenda no rodapé: para sempre inerte. Difícil de aceitar os fatos. Mesmo que querer não é poder, eu dou um jeito de reviver. De lembranças vive um sonhador.
É estranho essa rotina. Voamos durante o verão mas no inverno sempre pousamos no mesmo jardim. É estranho, não estressante. Nem desagradável. Te lembrar traz paz. Mesmo que seja após garganta seca e questionário melancólico após uma cena de filme. Romântico, como você me ensinou a ver. E ser.
Isso não é simplesmente saudade. O vinho há de fazer efeito após anos de repouso, assim como um amor finge desaparecer com o passar dos anos, mas o sabor que sente após abri-lo é o mais puro de todo o vinhedo. Pausa. Estou falando de vinho ou coração rechacido?
Estou em um eterno paradoxo. Afinal, a quem quero enganar? Pessoas não substituem, e mesmo assim eu continuo na procura incessante de te achar - ao menos em um outro alguém com o mesmo repertório falha de que me fará para sempre feliz. Não vindo de você, me recuso a acreditar.
Mais uma vez. Em outra época, em outro lugar. Se tiver de ser, será. E se não tiver, eu ei de me acostumar.

10 maio, 2012

Estrada Obscura




Talvez tenha acordado de um sonho. De uma vontade imensa de ser feliz. Dormiu com desejos e acordou olhando pra foto. Ela ainda estava lá, intacta. Radiante como a luz do sol e seus dois planetas da cor do céu. Seus olhos falavam por si só. Ela não estava lá da forma que ele queria, mas estava, como ela havia prometido não partir. Em um lugar que ninguém além dele poderia tocá-la, nem senti-la do jeito mais puro que ele sente. 
Mas como a vida sempre mostrou, nem tudo é como a gente quer. Saiba se encaixar. O tempo não vai voltar aos seus vinte e poucos anos pra tornar seus arrependimentos em histórias reais. Você é o que você vive, não o que apenas almeja. 
Medo. Sair pra vida custa ter coragem, ambição de sempre querer mais. Se esconder atrás do mundo não faz seu tipo. Ele é sentimento, talvez um pouco irracional. Temos que agir com o coração também. Razão é um velho chato matutando em seu consciente. Quem gosta de monotonia é relógio, que mesmo assim passa as horas pra ver se a gente toma alguma atitude. De ser feliz.
As amigas te disseram, você sabia dessa parte. Não queira provar se não estiver disposta a jogar. 
As pessoas te magoaram e vão magoar, nem tudo são flores. Relações vão ter um final triste, a não ser que o final seja o casamento. Tudo o que se leva dessa vida são aprendizados e não mágoas.
Não existe o perfeito. Pessoas são feitas de corpo e alma. Sentimentos são pra sentir. Pra sentir, não recusar. Não se recusa a felicidade. A felicidade de uma mente vazia. Vazia por causa do tempo que tratou de ensiná-lo sobre a vida. Estaremos sempre vazios, à espera de alguém que nos complete, não de ficar a ver navios.
Citei tanto a felicidade com a intenção de crescer seu ego, quem sabe ele acredite que pode ser maior que a distância e o melhor para alguém?