16 dezembro, 2011

Movimento Curvilíneo



Vim falar sobre mim. Tô precisando me esclarecer com o mundo, ele anda se desapegando a mim. Ando evitando sentir, inibindo emoções. A verdade é que, nesse momento estou com sentimentos aflorados, gritando querendo chegar perto ao barulho ensurdecedor de uma explosão, talvez irritado, não sei.
Tô meio deslocado, não sei onde quero chegar com esse texto, é mais uma tentativa previamente fracassada de encontrar uma fuga contra os que querem me derrubar sem ao menos fazer esforço diretamente contra mim.
Talvez eu deva ser colecionador, não consigo me aposentar das velharias. São tantas explicações já expostas e descartadas a mesa, tantos acordos assinados no susto, e consigo traziam as tentativas obscuras de colocar tudo por debaixo do tapete.
É incrível a que nível eu cheguei. Logo eu que acredito em destino tentando dizer que fui impulsivo e aquietado quando não devia. Me sinto um fracassado nesse ponto.
É como se o verão voltasse, mas que consigo ainda viessem suas famosas chuvas-de-verão. Ou seja, estou renovado, mas ainda trago comigo minhas feridas, hoje cicatrizadas, que amanhã filtrarão meus sentimentos.
Andei ausente durante meses, não por opção, por obrigação. Precisamos nos recuperar de um baque para termos forças pra se levantar e estar disponível a um novo devaneio, ou a uma nova paixão, como preferir.
Entro em estado de desilusão quando tudo o que quero no momento me impede de enxergar o futuro. Não é um caso de que há de se lembrar que a vida dura pouco, apenas quero ter prevenção e garantia de que vou estar trilhando pedras já antes conquistadas.
Portanto, única garantia que eu lhe dou é, vou continuar vivendo. Do futuro eu me descuido, mas do presente eu me permito continuar refulgente.

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